Looking at these images, one gets the uncomfortable feeling of looking at objects that are out of their place. Suspended by a sort of counter-gravity that is in no way akin to lightness, held in inertia not leading to movement, but rather denouncing the impossibility thereof.

Inert, and yet, restless. A restlessness foreign to matter. Things, when out of their rightful place, do not belong to this world – they have lost their sense, and have become illegitimate and excessive for us, who do not know where they go. They tend towards somewhere, somewhere where rest lies. But where to? An impotent tension – is it therefore vain? – stemming from the loss of one of its poles.

A tea bag, from yesterday; a bulb that sheds no light; a rotten orange; a rock, with no ground; a string, with no beginning or end, suspended by chance… and bodies. Bodies closed over themselves, coated in nudity that does not blossom, does not communicate, does not tell stories and does not make any promises. But this is a sort of incommunicability that takes on the shape of muteness, rather than silence; it is produced by an impeachment rather than by renouncing. Spectators, can you not hear, while searching for sense in these objects and bodies, its uncomfortable noise? It is naught but a suspended note, condemned to Time, incapable of reaching its successor, waiting for its self-draining.

When the tension is no more – for it will inevitably run out, intrinsically unsustainable note that it is – a fall shall follow, and then, it will break. What we now witness, now and always, is the imminence of final Exhaustion.

Mingyu Wu, Lisboa, 2010

Texto da exposição na Galeria Pedro Oliveira, Porto, 2010

Ao olhar para estas imagens temos uma incómoda sensação de estar a ver objectos fora do lugar. Suspensos por uma contra-gravidade que em nada se assemelha à leveza, estão presos numa inércia que não promete movimento, mas antes denuncia a sua impossibilidade.

Inertes mas inquietos. Uma inquietude estranha à matéria. As coisas fora do seu lugar próprio não têm pertença à ordem deste mundo, perderam o seu sentido, tornam-se ilegítimas e excessivas para nós, não sabemos onde encaixá-las. Elas tendem para algures, onde está o repouso, o descanso, Mas onde? Uma tensão impotente —será por isso vã? — por ter perdido um dos seus polos.

Um saco de chá de ontem, uma luz que nada ilumina, uma laranja podre, uma pedra sem chão, um fio sem começo nem destino, preso pelo acaso... e corpos, corpos fechados sobre si, revestidos de uma nudez que não abre, não comunica, não conta histórias e não faz promessas. Mas é uma incomunicabilidade que tem a forma de mudez, e não de silêncio, produzida pelo impedimento e não pela renúncia. Não ouvis, espectadores, enquanto procurais um sentido nestes objectos e corpos, o seu incómodo ruído? É pois uma nota que ficou suspensa, condenada ao Tempo, incapaz de passar para a sua sucedânea, à espera do momento do auto-esgotamento.

Quando a tensão se esgotar — inevitavelmente se esgotará, porque é intrinsecamente insustentável — seguir-se-á a queda e a quebra. Presenciamos, neste momento e sempre, apenas a iminência da Exaustão derradeira.

Mingyu Wu, Lisboa, 2010